Figurantes protagonistas
21 21UTC dezembro 21UTC 2010
Eu era mais forte quando passava longe e por lá via os bancos da praça. Hoje sou mais fraco e vejo os bancos da praça também. E me pesa estar longe deles.
Vou até um banco e só vejo o que eu nunca antes tinha visto. Há, além de mim, outras pessoas que passam e também veem os bancos da praça. Mas quem está nos bancos, seja alimentando pombos, namorando, escrevendo ou lendo, não vê quem passa.
A praça vive anonimamente como um cenário onde todos são protagonistas do seu próprio enredo, as histórias vão e os bancos passam sem passar.
Trocam-se os bancos e troca-se a gente nos bancos e na praça.
Dói lembrar do banco, mas me conforta estar nele.
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