Feijoada de cores
Sobra em mim um pouco dos outros, como se o meu corpo fosse de tinta fresca e a cada abraço ficasse mais colorido ou opaco dependendo na tinha de quem me venha. Eu tenho uma parte verde de um amigo de colégio que ama a natureza e fez em mim esse amor também. Tenho na palma da mão um azul-bebê da barriga que é casa de uma futura menina. Tenho um tom de vermelho em um ouvido que se pintou por um amigo revolucionário, e no ouvido contrário tem o branco da paz de um primo compositor. Na barriga tenho umas digitais amarelas de gente que me fez rir até chorar do outro lado do atlântico. Nos olhos verde, que são verdes de tanto olhar para outro verde olhar, e os olhares de gente fazem da minha pouca bochecha, bochechas rosadas. A minha cabeça é de um marron feio da muita mistura de cores das filosofias de buteco. O meu peito é quase nada, é transparente. Mas ainda tenho entre os dedos o preto da caligrafia rápida de uma amiga interiorana e apaixonada. Tenho cores nas costas que não vejo, e pelos lugares que passei tenho uma mistura incrível na sola dos pés. Eu me amo, porque amo as cores dos outros em mim.
Eu sou paleta, não quadro. Não sou arte, sou confusão. Pegue a cor que quiser, mas não tente me limpar que ser puro não me agrada.