Colcha nova
17 17UTC março 17UTC 2011
Nas costas alvas de serena beleza, vive em boa parte a minha porção nela. Bem no meio, que pega do inicio do pescoço até quase o começo da curva das nádegas. Eis que ali eu existo. Essa parte, privada dos olhos do mundo e dos olhos da dona é minha, pois só eu a conheço. É como se o vale da pele nas vértebras me ninasse, e eu pudesse me esconder nela e em mim mesmo, e o mundo inteiro se esquecesse de mim por um instante e eu pudesse deixar de ser eu e dormir uma noite para minha existência. Suas costas são o meu segredo, meu esconderijo, meu leito de morte.
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