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Do que eu não vivi

26 26UTC outubro 26UTC 2011

Há ao meu redor essa pretensiosa ingenuidade, são meus iguais, meus iguais que me olham e me dizem, mas não me vêem e não me escutam. Não existem erros que sejam seus, se algo falha, é pelas mãos anteriores ou posteriores de outros, nunca as deles, suas mãos mesmo que humanas não podem tremer nem hesitar, não há o que não saibam, o que está além é impossível. E eu, que me tenho receoso do futuro como se entrasse aos centímetros em uma piscina gelada, e cada passo é amargamente sentido e vagarosamente esquecido para o próximo, eu que sinto cada pelo se arrepiar de medo ou frio quando o futuro se assanha aos poucos sobre mim, como posso eu ter certeza de alguma coisa? Como posso mergulhar sem hesitação no futuro, como posso escolher meus caminhos de olhos fechados e firmemente dar minha mão à alguém? Não, eu ainda nem sei o que é possível.

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